domingo, 25 de setembro de 2011

Em um dia



Lentamente abrimos os olhos, e pensamos que é mais um dia. Começamos a organizar as tarefas do dia. Sabe quando você acorda e pensa putz... mais... um... dia... bem por ai sabe!? Você se programa para o dia inteiro sabendo que a cada segundo, somos jogados na parede. Reféns dos segundos. De cada maldito segundo que nos leva do sorriso ao choro num piscar de olhos. Queremos o agora, como crianças que se encantam com qualquer coisa na loja. Queremos a intensidade, sem imaginar a dor que vai nos causar. Queremos ficar parados, sem pensar em nada, olhando a poeira ajuntar para que num dia qualquer, vamos lá arrumar. Como os sentimentos, como se fossem algo momentâneo, que é só virar a esquina que a outra rua nem existir vamos achar. Somos todos assim? Eu não! Eu quero o agora! Mas sabendo que cada coisa tem sua hora para realizar. Sou refém dos meus segundos, que quando eu falo "chegou a hora!", vou lá causar. Meu momento é uma tormenta que chicoteia na minha carne me lembrando de cada sensação que aqui faz, e nunca deixo minha idade, esquecer onde coloquei as chaves. Afinal, tenho portas para abrir. Portas para fechar. Sou de guardar cartas, afinal, de que adianta ler e depois no lixo jogar? Gosto de lembrar de quem me ama, de quem sabe onde vou estar. Sou daqueles que quando quer agradar, não fica pensando nas coisas caras para dar. Eu fecho os olhos e deixo o coração me falar. Sou ave velha, que voa livremente pelo mundo, mas sabendo o ponto onde devo voltar. Quando falo de amor, falo com vontade! Estufando os peitos, quase numa dança de acasalamento. Exalando todo meu amor no ar. Nada de falar um Eu te amo chocho. Tem que mostrar cuspindo, principalmente na cara de quem ama, para quem sabe fazer acordar. Sou de dilúvios de lágrimas quando sou ferido. E alegria irradiante quando escolhido. Sinto falta, e falo! Talvez bem quietinho, no meu canto. Sem confusão causar. Sou de olhar pela fechadura para ver como meu amor está! Sou um infante do amor, da alegria e vida. Que tenta nas coisas simples sempre mostrar o lado bom, a esperança. Teimoso ao extremo, daqueles de bater o pé e prender a respiração até mandarem parar quando fico roxo sem ar. Sou de sorriso tímido, que dá apenas quando me tocar. Quase birrento, mas sabendo a hora de parar! Sou insaciável, mas de gosto raro. Uma tá bom, pra que mais? Falo de amor para meu amor, só isso. Mas deixando bem claro para todas o limite que pode entrar. Coloco minas e uma placa de não ultrapasse para os chatos! E outra de se passar eu atiro para quem tentar me machucar. Deixo a raiva explodir quando tenho, nada mais de guardar dentro do quarto escuro os problemas. Quero pintar esse quarto, transformá-lo quem sabe em algo mais familiar. Sonho eu tenho, só falta meu amor aceitar. Sou intenso, mas budisticamente na medida certa. Tenho medos, quem não tem? Um animal curioso que quer saber de tudo que acontece, mesmo se o coreano está falando russo para o inglês. Sou tudo isso e mais um pouco mais de tudo isso que sou! Tudo em um dia! Tudo naqueles mesmos dias que falamos ter! Sou coisa rara! Aquele tipo bem exótico que vc quer colocar na parede como troféu. Sou de me dedicar e falar, de mostrar que tudo mudou mantendo as mesmas coisas tirando tudo do lugar. Sou de jogar fora o que me incomoda, e guardar de forma viciante no mesmo lugar aquilo que digo gostar. Sou tanta coisa, que nem sei como em um dia consigo mostrar! Quem sabe se dividir as tarefas na semana, posso melhorar. Hum... nem! Pra que se prender, se a cada dia posso viver sem me algemar...

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