segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O cavaleiro, parte 16: Um momento no tempo!



O cavaleiro descansa para completar sua missão de salvar a princesa nas  mãos do seu próximo desafio. Assim como o outro, ninguém sabe quem é, o que é, ou o grande perigo que o aguarda! O cavaleiro está ciente de a cada passo em direção ao seu amor, mais difícil e perigoso será. Está anoitecendo e ele não consegue dormir! Está apreensivo... com um medo que no momento não existe. Ou está invisível. Ele segura o colar buscando uma palavra do seu amor, mas está tudo tão silencioso... Ele olha a noite chegar, temendo diante do que poderá chegar ao anoitecer! Ele se sente na janela. Não sente o peso que está nas suas costas. Gosta disso! Nasceu para isso! E  não deixaria nada estar no seu caminho se luta acreditando no que busca. Vendo a cidade do castelo, ele enxerga pouco movimento do lugar. A cidade segue o ritmo do tempo. Mas hoje ela está alegre, festiva com a volta das pessoas raptadas pelo monstro. O cavaleiro pode enxergar de onde está a festa! Na praça perto do castelo. Todos estão felizes. Festejando a vida que novamente voltou para o reino. Todos na cidade estão felizes... digo, menos um! O cavaleiro enxerga da sua torre o rei, em outra torre olhando seu povo comemorar. Ele vê nos olhos do rei o orgulho de poder fazer seu povo feliz novamente. Mas vê um vazio agonizante do rei por não ter sua filha perto dele. O cavaleiro sabe da importância da sua missão. Não é apenas uma missão! É trazer a vida novamente para aquele corpo vazio que diz ser o rei. O cavaleiro lembra do tempo que tinha um pai... quando era amado e sabia que podia contar sempre com ele para tudo. Ele entende a tristeza do rei, por que passa sempre por isso, dia após dia. O cavaleiro sentado na janela começa a lembrar dos seus dias quando criança. Do tempo que ele não precisava se preocupar em ter uma obrigação... um amor... um destino contra ele. O cavaleiro vai viajando no tempo lembrando da sua juventude... sua inicialização na ordem... a primeira vez que encontrou seu amor... e começa uma tristeza encher seu coração. Ele se perde olhando para a festa, desejando que seu amor estivesse com ele. A dor aumenta... e não quer parar! O cavaleiro sabe a dor de desejar alguém e não ter. E sabe mais ainda que não pode desistir dessa busca. Desse sentimento que vem do coração. Ele segura o colar esperando uma resposta... mas nada! O cavaleiro decide descer e ver de perto a festa. As pessoas o recebem com alegria quando chega. Todos querem demonstrar a felicidade do que ele trouxe de volta para o povo. O cavaleiro fica sem jeito com todas essas homenagens feitas. Ele não as merece! Ele apenas fez o que é certo! Não foi pela glória ou fama! Mas ele aceita cada demonstração de gratidão, abraço, beijo. Por mais que ele não queira admitir, essa festa é para ele também. E assim decide comemorar demonstrando o agradecimento pela comemoração. Ele senta perto de uma fogueira, vendo as pessoas dançando alegremente em volta dela! É uma sensação boa. Confortante que faz tempo ele não tem. O cavaleiro pensa a cada segundo no seu amor... que não deu sinal desde a batalha na caverna. Ele pensa se ela foi embora. Desistiu dele. Ela sente uma tristeza, misturada com a alegria do lugar machucando dentro dele. O vazio é grande! Mas ele sabe do que precisa fazer! Não desistir nunca! E por um segundo ele se perde  novamente olhando para a fogueira. Voltando no tempo quando estava com seu amor. Comemorando uma vitória no campo de batalha. Vendo ela dançando alegremente em volta da fogueira. Olhando para ele fixamente, mostrando todo seu amor. Todo seu calor por ele. O cavaleiro sorri! E voltando para onde está ele vê uma criança ao seu lado. Olhando ele curiosa, como toda criança é! "Está feliz?" diz o cavaleiro para a criança. "Você é mesmo um cavaleiro!?" diz a criança com aquele jeito curioso que sempre os pequenos demonstram. "Sou sim!" vendo a curiosa criança fuçando nas suas luvas... vestimenta... totalmente hipnotizada pelo que via. "Você vai ajudar o rei? Ele está triste!" pergunta a criança. O cavaleiro olha para a criança sorrindo: "Claro! É isso que os cavaleiros fazem!" ... a criança sorri para o cavaleiro demonstrando muita felicidade e sai correndo para os pais dela pulando e se divertindo. Mas antes de chegar até eles, ela vira para o cavaleiro e diz: "Eu acredito em você!" se virando e chegando até seus pais. O cavaleiro foi tomado por uma felicidade instantânea! E decide voltar para seus aposentos. Ele deita na cama e continua a pensar sobre o que a criança disse. Ele sabe que as palavras da criança foram sinceras. Foram ditas com o coração. E sabe que muitos outros acreditam nele. Acreditam no que depositam nele. E isso o fez acreditar no que faz, espantando a tristeza do coração dele. Ele precisava que alguém não desistisse dele...

... olhando para o colar em silêncio. 

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