segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O cavaleiro, parte 19: Torpor eterno


Os dois cavaleiros entram sem pensar no que acontece atrás. Penetrando na escuridão, as armaduras brilhantes com a luz do sol, começa a desaparecer. Mergulhando na mais completa escuridão. Os cavaleiros andam tentando se firmar, mas a única coisa que acham, são o chão que está seus pés. Não se ouve nada lá dentro, nem mesmo as suas vozes. Os dois cavaleiros não sentem nada. Como se todos seus sentidos fossem tirados deles. Eles sabem que estão andando, mas nem o chão eles começam a sentir mais. O cavaleiro apenas tem em mente seguir. Não importa para onde ele esteja indo, ele continua andando. Ele não sente nada. Apenas que seu corpo aos poucos vai caindo, mas ainda está de pé. Ele tenta encontrar seu amigo, mas não consegue enxergar sua mão colada no rosto. O cavaleiro se sente perdido, andando sem saber para onde vai. Seu coração está calmo. E ele teme nunca mais voltar. Será o fim de sua jornada ele pensa. Ele começa a pensar em seu amor. Começa a pensar que tudo que está fazendo, é para ao lado dela ficar. E isso o leva a tristeza. O cavaleiro sabe que apenas esse amor o mantêm em pé. Que estar ao lado de seu amor é a maior força que poderia lhe animar. Ele tenta pegar o colar, mas não sabe se o pegou. Seu corpo está adormecido. Como se a única coisa que estive funcionando, fosse o que o faz pensar. Ele se concentra para tentar sair daquele estado. Mas nada o faz achar um meio. O cavaleiro começa a ficar em silêncio. Em pensamento. E começa a tentar achar um caminho. Seu coração está dormente. Mas ele sabe que em algum lugar, a chama que o mantêm vivo está acesa. E é isso que ele tenta procurar. Ele não sente nada, mas sabe que está calmo. Serenamente aliviado. Sabendo que se está morto, ele morreu por seu amor. Mas se está vivo, esse amor o caminho vai mostrar, para sair desse torpor que parece eterno. O silêncio domina seus pensamentos. A insensibilidade o incomoda. Mas ele não se preocupa com isso. Essa é apenas uma prisão ele pensa. Uma prisão de vontade. Que tenta tirar a esperança de quem é pego em suas garras. Na mente do cavaleiro tem apenas uma coisa em sua mente. Seu amor! E é nela que ele está focado! Poderia estar o mundo nascendo em sua volta, agora é ele que faz o mundo se calar. Mergulhando em sua alma, o cavaleiro procura pelas portas de sua mente, um sinal que aquilo, é apenas um estado qualquer. Que quando ele quiser, só precisa abrir e ver o mundo girar. O cavaleiro procura dentro do mais fundo dos seus sentimentos um momento que o faça sair dessa escuridão. Aos poucos tudo vai sendo coberto pela escuridão. Mas ele não perde a esperança, por que ele só precisa de uma razão... sua amada! Nos corredores da sua alma as portas vão se fechando. E ele começa aos poucos ver o silêncio chegando. Ele não tem para onde correr, mas sabe que não pode perecer. O cavaleiro corre pela sua mente fugindo de seu carrasco. Que está trazendo a noite em cada porta que o cavaleiro tenta abrir. Quando o cavaleiro pensa que tudo está chegando ao fim, ele decide encarar da forma mais honrada que poderia. E pegando sua espada, se prepara para agir. Quando os braços da escuridão começam a envolver o cavaleiro, e quando o cavaleiro sem poder fazer nada acha que é seu fim, ele ouve uma porta se abrir. E dentro da porta se ouve uma voz que ele pensou que nunca mais ia ouvir: "Eu estou aqui! Venha!" E a luz que saia da porta começou a espantar o silêncio. O cavaleiro corre até a porta, e segurando na mão de seu amor eles se olham, como antigamente. E ela bem baixinho fala no seu ouvido: "Oi!". O cavaleiro começa a ouvir seu coração batendo. E olhando seu amor sumindo aos poucos, ele diz: "Eu não desisti de você!" e vendo ela sorrindo ele ouve: "Eu também!". E antes dos lábios se tocarem ela desaparece, e as portas de sua alma aos poucos começam a abrir. O cavaleiro começa a abrir os olhos lentamente, e vê que está ajoelhado. O cavaleiro aos poucos começa a recobrar as forças quando olha o seu amigo. Imóvel. Como se estivesse perdido no tempo, ou espaço. O cavaleiro vê que não deram dez passos sequer desde que entraram na caverna. Ele enxerga seus amigos que lá fora enfrenta o poderosos exército dos monstros. Mas sabe que ele tem que continuar. Mas ele sabe que agora, a maior força que poderia ter ao seu lado, está com ele! E segurando o colar, ele ouve bem baixinho no seu coração: " Eu também!".  O cavaleiro finalmente voltou! E correndo pela caverna ele está, para mostrar para seu amor, que tudo que ele está fazendo, ainda não acabou!

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