sábado, 21 de abril de 2012

O cavaleiro, livro 02 - parte 03 - A ausência do amor desejado

O dia está triste! E nada pode mudar ele dentro do cavaleiro. Os dias passam, quase dois meses. E a princesa Marie se afasta mais e mais dele. O cavaleiro não sabe mais o que fazer, e tenta conversar com o Rei Darius II, com a rainha Beatriz. E todos os meios que busca, se tornam mais dolorosos para esses dois, que se amam tanto. Que depois da violenta batalha em Reidra contra o príncipe negro, mostrou como esse amor é mais forte do que se imagina. O cavaleiro tenta falar com seu mestre, Seedor, seguindo para o campo de treinamento de Anders.

- Olha que está aqui novamente, senão meu melhor aluno! Diz Seedor vendo o cavaleiro abrindo a pequena cerca, entrando no campo de treinamento, se dirigindo para a casa de seu mestre, que fica logo atrás. Seedor sabe do que o cavaleiro passou, e sabe do que está passando agora. Ele imagina o que o cavaleiro está fazendo ali, e sabe que não tem as respostas que ele tanto vai querer buscar.

- Fico feliz de vê-lo novamente mestre! diz o cavaleiro chegando até onde Seedor estava, e o abraça.

- Também fico feliz sempre de ver meu aluno mais dedicado e teimoso novamente! Roubando do cavaleiro algumas risadas, antes dele ficar sério e mostrando em seu rosto um ar de preocupação.

- Pois então, o que trás você aqui? pergunta Seedor.

- É a Marie mestre! Desde que a salvei. Desde que declarei guerra aos deuses e mostrei que somos capazes de lutar sem eles, ela se afasta de mim! Essa ausência, esse afastamento dela aos poucos só me faz crer que ela não me ama mais! Não me quer mais...

Olhando seu ex-pupilo, Seedor não sabe o que dizer. Ele acompanhou Marie desde pequena. Sabe da sua forte religiosidade e sabe o quanto é importante para ela isso. O cavaleiro desafiando os deuses, fere a princesa Marie profundamente. E talvez seja realmente isso o motivo dela se afastar. Dela talvez deixar de amá-lo.

- Não se deve se impôr em uma questão tão delicada assim cavaleiro! Ninguém tem o direito de obrigar o outro a acreditar ou não em algo. Isso tem que ser feito pela própria pessoa. Por mais que acreditemos em deuses ou não. Isso é uma questão que vem da própria pessoa, e não da massa que ela segue. Cada um acredita no que sente. E Marie cresceu acreditando em seu deus. Diz Seedor com o cavaleiro desapontado com o que ele fez.

- Eu sou o errado na história! Depois de tudo que fiz, sou o errado! Diz o cavaleiro olhando para os pequenos treinando poucos metros a sua frente.

- Não existe certo, ou errado. Existe respeito! Você sempre acreditou nos deuses, e agora por tudo que passou e descobriu. Decidiu declarar guerra contra eles! Você declarou guerra contra a opinião de muitos! Muitos guerreiros e cavaleiros aqui acreditam em deuses. E você simplesmente está jogando eles contra o que eles cresceram acreditando e se apoiando nos momentos difíceis!

O cavaleiro não tem o que falar. Sabe que seu mestre está certo! Sabe que ele está obrigando os outros a aceitar a situação. A participar da guerra que ele declarou.

- Eu não sei o que fazer! Estou perdendo a pessoa que amo com essas ações. E a única coisa que desejo é abraçá-la e estar ao lado dela sempre. Mas ela não fala comigo! Se afasta de mim e não sei como fazer ela voltar...

- Faça o que seu coração mandar! Você desafio todos os inimigos por ele. Deixe ele ser novamente justo para te guiar. Diz Seedor colocando as mãos no ombro do cavaleiro, que olha distante, se perdendo. Procurando pela resposta que quer tanto alcançar.

O cavaleiro se despede de seu mestre e sai lentamente do campo de treinamento. Sem perceber as pessoas que o cumprimentam. Sem perceber as pessoas que o chamam. O cavaleiro simplesmente anda sem direção, tentando ouvir seu coração. Tentando chegar perto do seu amor, que está tão distante dele.

- Diga-me coração! Vamos, me mostre o caminho que tenho que tomar, para esse amor não perder ou afastar! Diga!

E o silêncio das respostas fazem o cavaleiro se distanciar do reino, entrando na vila próxima. Atravessando ela como um fantasma, sendo puxado até o alto de um morro. O cavaleiro então se senta e começa a olhar todo o lugar, que não tem ninguém, apenas a paisagem que encanta ao olhar.

O cavaleiro sem respostas ali fica, esperando um dia seu amor voltar com ele a falar.

...

Em algum lugar desconhecido.



- O cavaleiro começa a ter dúvidas de suas ações! E isso pode ser muito prejudicial a nós, não acha?

- Sim... precisamos fazer algo para ele, essa guerra continuar!

- Finalmente então iremos mexer nossas peças!

- Sim... finalmente, uma guerra vamos começar!


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