sábado, 28 de abril de 2012

O cavaleiro, livro 02 - parte 4 - Tola fé do amor


As preparações da guerra, transbordam a alma das pessoas do reino. Algumas sem saber contra quem vão lutar. Outras, por outro lado, sabem. E seus corações ficam arrasados em saber da tamanha ousadia que alguns mortais estão demonstrando contra aqueles que tanto significam para eles.

O cavaleiro, Edgard, e seu amigo Milo, agora um cavaleiro da guarda real do rei, caminham pelo reino, percebendo o desgosto nos olhos de uns. Medo no de outros.

- Isso te lembra algo? pergunta Milo para Edgard, que olha para as pessoas sentindo a mesma sensação que teve, quando foi expulso do reino.

- Eles duvidam do que estamos fazendo. Mas eu entendo! Eles não sabem nem o começo de toda a história. De toda a guerra que precisamos travar. Diz Edgard olhando as pessoas desviando seus olhares, fugindo do olhar dele.

- O povo talvez nunca saberá o que o príncipe negro fez! Talvez essa desconfiança e medo, sempre ficará conosco. Nos assombrando em cada esquina, em cada sombra que formar. Todos temos nossos problemas, que devemos solucionar! Diz Milo apontando logo a frente, onde está a princesa Marie, com algumas pessoas, a frente da igreja.

- Você precisa falar com ela! Resolver logo essa situação! Diz Milo para Edgard, que entende o que ele quer dizer. E se despedindo do seu amigo, vai em direção a princesa, que percebe ele vindo. Ela tenta sair, mas ele a chama.

- Meu amor, para onde vai? Diz Edgard que abraça seu amor. Ele a olha com a mesma ternura que teve desde o primeiro dia que a viu. Mas ela desvia o olhar, tentando fugir.

- O que está acontecendo conosco? O que eu fiz para que você ficasse assim comigo? Pergunta Edgard para Marie, que procura evitar falar. Marie apenas o olha tentando sair de perto, mas ele insiste em conversar.

- Por que esse silêncio comigo? Por que se distancia assim? É a guerra que está chegando? É algo que estou fazendo? Responda, por favor! Continua o cavaleiro insistindo em saber a verdade que faz seu amor se distanciar. Mas ela nada diz, entrando na igreja com os outros que lá fora estavam, deixando ele de fora, sem entender, sem saber o que falar.

Edgard sabe que ela está assim por sua causa! E tenta procurar um meio de fazer ela voltar a ser como era com ele. Mas como ele pensa. A princesa Marie se distancia mais e mais, escondendo tudo que faz, sem estar mais presente ao lado dele. E com o amor apenas declarado, nada ele é dela para cobrar algo. E agora ele percebe que nem mais o amor ele tem dela, com as ações dela ao seu lado. Perdido, sem reação com as coisas que ela faz, o cavaleiro se surpreende com as pessoas que estão chegando no reino.

É uma pequena caravana, pelo aspecto das carruagens e bandeiras que adornam elas, religiosos. Entrando no reino lentamente, quase em um cortejo fúnebre. Passando um ar sombrio e temeroso enquanto passam. A carruagem maior está tampada com cortinas, não deixando Edgard ver quem está lá dentro.

- O que está acontecendo? Chega Eton, com alguns soldados da guarda real.

- Eu não sei! Mas o que quer que seja, precisamos saber agora! Diz Edgard ordenando os cavaleiros mais adiante, a parar a caravana.

- Pelo poder me dado por Darius II, rei de Anders, eu ordeno saber o que querem aqui? Diz Eton, com o poder de chefe da guarda real.

- Somos apenas viajantes, procurando um lugar para comer e dormir. Não viemos causar nenhum problema! Diz o condutor da carruagem, que estava coberto por uma túnica preta, cheia de palavras desconhecidas para eles.

- E que é o seu senhor, que está na grande carruagem? Pergunta Edgard, querendo saber quem é a pessoa que está na carruagem. Quanto mais perto chega da grande carruagem, mais ele sente exalando uma presença incômoda no ar. Uma sensação que ele sentia quando as trevas em Reidra, infestavam o lugar.

- Quem está na carruagem é nosso guia, nosso mestre, Calard. Aquele que trás a luz e esperança em cada lugar. Diz o condutor da carruagem para o cavaleiro. Eton então se apressa na frente de Edgard e abre a porta da carruagem, encontrando um senhor, de idade avançada, vestindo sua túnica preta, com símbolos em vermelho, e sua barba branca destacada.

- O que está acontecendo aqui? Pergunta Calard, saindo da grande carruagem. Imediatamente ele encara Edgard, que sente o incômodo aumentar mais e mais.

- Quem é você? Pergunta Eton.

- Quem sou eu? Eu sou aquele que trás as palavras dos deuses para quem tem pouca fé! Diz Calard continuando encarando o cavaleiro.

- Palavras dos deuses!? Diz Marie, aparecendo para ver o que estava acontecendo.

- Princesa! Diz Eton.

- É uma honra conhecê-la majestade! Diz Calard, reverenciando.

- Se você veio pelo nome dos deuses, será bem vindo! Diz a princesa Marie, para o espanto dos cavaleiros.

- Meu amor, você não o conhece! Como pode aceitá-lo no reino assim, desta forma?

- Eu também pensei que o conhecia! Mas esses últimos dias, mostrou que você não é o que eu imaginei! diz Marie, chocando todos presente. Edgard fica sem reação com a mudança da princesa Marie, sem saber o que falar e fazer. Apenas olhando para ela, totalmente dominado, como um rato diante do seu caçador. Todos os cavaleiros presentes, então começam a sair de perto, liberando a passagem para a pequena caravana entrar no reino.

- Será meu convidado no reino e no castelo! Diz a princesa Marie, mostrando o caminho para Calard. Mas antes de acompanhar a princesa, ele chega perto do cavaleiro, sorrindo para falar algo apenas para ele.

- Devia prestar atenção no que sua mente diz, e não o coração! Coração trai, engana. Faz você fechar os olhos para as mentiras que fazem para você! A fé no amor só é verdadeira, quando tem o retorno. Quando a pessoa faz a mesma coisa por você! Infelizmente cavaleiro, parece que sua fé não é forte suficiente para mantê-la ao seu lado. Diz Calard sorrindo, seguindo a princesa Marie em direção ao castelo.

Edgard fica imóvel, vendo todos saindo de perto. Vendo que as palavras que sempre estiveram com ele "quem ama, não desiste" se tornaram tão pequenas, aos interesses. A suas crenças. E tudo que ele fez para provar que estaria sempre com ela, foi insuficiente para mantê-la ao seu lado. Para mantê-la lutando por ele. E assim, ele começa, aos poucos ver as mentiras que o amor proporciona. Vendo que onde apenas um faz por amor, é apenas um chorando.

Hoje, o cavaleiro aprendeu que nada dura para sempre, enquanto apenas um estiver lutando. E percebeu que ele não é tão importante assim para a princesa Marie. Não é suficiente para o seu amor.

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