sábado, 5 de maio de 2012

O cavaleiro, livro 02 - parte 5 - Brincando com fogo

No mais profundo e escuro reino, onde as almas pecadoras vagam tortuosamente em cada canto, um homem se satisfaz com os gritos de agonia e dor. Ele foi amaldiçoado pelos deuses a cuidar por toda a eternidade, junto com seus outro dois irmãos, do lugar mais temido que existe em todas as realidades. Nigis, o reino de fogo, inferno das almas, é o lugar perfeito para essa pessoa que olha cuidadosamente cada alma que chega ficar. Escolhendo pessoalmente seus castigos, para tentar aliviar sua punição, de sofrer como eles, por ousar os deuses destronar.

- A tristeza, sempre estampada nos seus olhares! Pedindo por um milagre, para que suas almas possam partir daqui em liberdade. Mas daqui nenhum irá sair! Interesseiros, criminosos, assassinos, ladrões, mentirosos, desonrados, ambiciosos, e tantos outros chegam. E acham que seus pecados em vida, serão absolvidos aqui. Mas eu estou aqui para lembrar cada um deles da sua culpa pelos erros cometidos. Diz a criatura, olhando para as almas que suplicam, enquanto sofrem os castigos.


- E quem vai olhar seus pecados? Diz Arc´Than, aparecendo para a criatura.

- Como ousa entrar em meu domínio assim?

- O seu domínio, é o meu domínio! Ou esqueceu que sou o deus soberano de Nigis, Cehist?

- Não, eu não esqueci de quem é o meu carrasco! Tenho a eternidade toda para não esquecer quem é o deus que vigia minha amaldiçoada prisão. Diz Cehist chicoteando as almas, descarregando sua raiva em cada uma perto dele.

- Não tenha ódio de mim! Não sou eu quem devem culpar por estar aqui! A culpa é apenas sua e de seus irmãos, semi-deuses orgulhosos, que não se satisfazendo com o que tinham, tentaram subir o monte Hi´na. A ganância pelo poder, que levaram vocês para onde estão agora, não eu! Diz Arc´Than.

- Os deuses são culpados pelo meu sofrimento! E isso incluí todos, até mesmo você! diz Cehist soltando fogo pelos olhos.

- Sim, eu sou culpado! Mas e se eu pudesse libertar você de seu sofrimento, o que você diria para mim? Pergunta Arc´Than olhando a cara de desconfiado de Cehist.

- Não ouse brincar comigo, pequeno deus! Grita Cehist pegando Arc´Than pelo pescoço.

- Quem sou eu para enganar você, ou seus irmãos! Acha que tenho mesmo duas caras para brincar com os três semi-deuses caídos? Diz Arc´Than, sentindo mais e mais Cehist apertar seu pescoço.

- Será um tolo se o fizer! Diz Cehist soltando Arc´Than, que cai de joelhos na sua frente, buscando se recuperar, enquanto Cehist caminha até a beirada da sua torre, olhando para o imenso reino de Nigis.

- Não sou um tolo! Estou dando a oportunidade que você e seus irmãos procuram todos esses séculos. Uma guerra está prestes a começar. Os humanos estão cansados! Se rebelando contra os deuses, contra o que acreditavam.

- Vocês são deuses, por que deveriam temer os mortais? Eles são nada diante do pode de um deus! Diz Cehist chicoteando as almas, que gritam, suplicando para ele parar.

- Sem a fé, nosso poder diminuí. Mas o seu e dos seus irmãos, não! E por isso que com a ajuda de vocês, poderia mudar tudo ao meu favor.

- Seu favor!?

- Eu odeio meu irmão, tanto quanto você! Ele enfraquecido será uma presa fácil para vocês. E assim, finalmente terá o que tanto desejam, se tornar um deus. Diz Arc´Than para Cehist, que sorri com as palavras ditas pelo deus.

- Pense com carinho a respeito disso! Eu voltarei para saber a resposta de você e seus irmãos. Desaparecendo, deixando Cehist sozinho pensando nas palavras do pequeno deus negro falou.

Em Hi´na o pequeno deus mexe suas peças, sabendo que a guerra só precisa de um empurrão para começar. E ele sabe que logo ele será dado, desencadeando o fim de tudo. Onde ele será o deus supremo da nova era que irá começar. O deus do morte, manipulador, duas caras e jogador, planeja tudo, para que seus objetivos sejam conquistados. Mesmo que para isso, seus irmãos precisem morrer.

- Falta pouco! diz Arc´Than sorrindo de uma sacada no templo em Hi´na. Sendo olhado pelos outros deuses, que não entendem o que por que dele estar feliz, já que a maior guerra de todas está prestes a começar.


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