sábado, 22 de fevereiro de 2014

Dominante




Deixe o corpo no chão para seu remorso comer.
Mastigando amargamente o que escolhe, o que esconde.
Com sorrisos manchados de felicidade, escorrendo até o coração.
Satisfazendo a natureza da sua necessidade, naturalmente claro!
Sem dor de assim matar mais um na sua refeição.

Mastigue as palavras, amargas palavras.
E conquiste seu mundo silenciosamente antes de dizer
que escolheu provar esse, por facilmente machucar, deixando morrer.
Calmamente rastreando seus passos, seus desejos.
Atravessando seus medos, derrubando indefeso no chão.

Sorrindo o sorriso dos inocentes, tão inocente.
Fazendo o que tem que fazer, naturalmente sem perguntar por que.

Deixe chorando no chão. Deixe no chão.
Rastejando sem pele, sem máscaras, sem alma.
Perdido, derrotado, quebrado.

Rodeie. Deixe seu rastro. Seus lamentos. Seus desejos.
Mostrando onde vai. Mostrando que tudo que perdeu, é seu. Em vão.
Fingindo ser o que era, deixando tudo por amar.

Mastigue, coma tudo. Está ficando frio.
Por que outra chegou. E você perdeu!

O amor goteja em seus dentes, sem todo ele provar.
Quebrando seu direito de ter. Seu direito de exigir.
Nesse território que é a vida. Onde a fome diariamente se sente.
E se não lutar, a fome vai te consumir.

Deixando os restos para você lamber, e se contentar assim.



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