terça-feira, 4 de março de 2014

Diferenças

          Boa tarde para todos!

          Ontem foi uma overdose de filmes que acabei ficando doido de tanto assistir. Assisti vários filmes de terror clássicos: Mestre dos desejos. Sexta-feira 13. Contos de Stephen King. E alguns outros que se tornaram bem cults como Pulp Fiction, Donnie Darko, Clube dos cinco, entre outros. Aliás sobre esse último que fiquei mesmo pensando muito. O filme é de 1985 e mostra tanto 2014 para nós. Cinco tipos de adolescentes, comuns nos dias de hoje, juntos, com seus mundos diferentes, mas com coisas em comum que nunca quiseram ou se importaram em saber. O nerd. O esportista. O machão marginal. A Princesinha. A estranha. Todos com suas diferenças, mas no final tão iguais.
          E isso me fez voltar para a época de escola. Eu nunca fui nenhum desses. Talvez o estranho seja o mais próximo que poderia ter chegado. Mas nunca sofri bullying, por que em algumas coisas de esporte me destacava. Ou uma vez ou outra tirava notas boas. Sempre andei no limbo de todos esses tipos. Interagia com todos, mas ao mesmo tempo, ficava longe deles. No esporte nunca tive carisma ou simpatia dos atletas mesmo da classe. Sempre ficava no time dos "estranhos".
          Quando era algo individual, como as lutas que tinha, me destacava e todos lembravam de mim. Tanto que colocaram meu apelido de açougueiro, por que sempre que tinha luta, não pensava duas vezes em quebrar a pessoa. Como nerd eu me destacava quando me interessava o assunto, não sou aquele cara de querer agradar professor, ou realmente seguir as regras, tirar notas altas e todo mundo ficar olhando. Eu tirava o que importava para continuar. A questão de ser melhor ou não só importava a mim. E o conhecimento que eu quero, apenas eu podia procurar para saber. O marginal nunca foi meu estilo. Cabulei aula uma vez na minha vida apenas para minha mãe me trocar de uma escola, para voltar para a antiga que eu estava. Nunca fui de arrumar suspensão. Bilhetes da diretoria. Talvez o que mais recebia era bilhete para a mãe assinar, por que esquecia de fazer os deveres. Brigas evitava. Evitava me expor. Não entrava em briga dos outros. Apenas queria que a aula terminasse para voltar para casa. Nunca fui popular! Então nem sei o que é ter as pessoas atrás de você idolatrando e babando, como se eu fosse um deus. E o estranho... esse era o que mais me identificava! Nunca ia na onda dos outros. Escrevia e pensava o que tava afim. Ficava no meu canto, com meus gostos, interagindo com pessoas excluídas, geralmente os nerds. Não tinha meu espaço realmente completo em nenhum lugar. Sempre andando pelas tribos, como se fosse um fantasma. Talvez isso que fez que não sofresse bullying na escola. Era forte suficiente para me proteger, se algum idiota quisesse arrumar confusão. E esperto suficiente em algumas áreas para os nerds não ficarem rindo quando andava com eles.
          E por isso que eu me identifico tanto com esse filme. As pessoas ficam com medo da pessoa  x ou y. Mas nunca se importaram com quem realmente ele é. Ficam presas em seus julgamentos, no que as pessoas falam, e perdem várias oportunidades de conhecer pessoas legais. E o triste disso tudo, é que ainda hoje, exista separação e descriminação como vista no filme. Existe essa separação quase obrigatória, onde você escolhe um grupo e se tentar sair dele, está ferrado. Já andei por tantos grupos, que atualmente eu falo que o grupo que ando é o meu! Meu gosto, minha opinião, meus pensamentos. Se você não gosta, tudo bem, é seu direito. Mas que seja a sua opinião essa e não dos outros. E o filme mostra essa união obrigatória por causa da detenção e sem poder fazer nada, acabam se conhecendo. Vendo que por mais diferente que eles fossem, tinham problemas iguais. Que no final não eram tão diferentes assim. Para mim devia ser obrigatório esse filme em escolas.
          O que posso falar é se separar por tribo é uma opção e tem que ser respeitada. Mas julgar o outro por não ser da sua turma, uma completa babaquice. Conheça primeiro a pessoa antes de sair atacando as pedras. Você pode achar uma pessoa legal e interessante do outro lado.

4 comentários:

  1. " Iguais, mas diferentes! Conheçam-nos antes de julgar-nos! "
    Texto perfeito!
    beijos iluminados

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  2. Obrigado! E essa é a vida atual... cheia de julgamentos... cheia de punições... sem nenhuma vontade da verdade saber.

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    1. Sou acostumada com o preconceito e com o pré-conceito!!
      Pra mim é muito mais nos dias de hoje!!!
      Na minha época escolar havia poucos pontos a serem disputados:
      O mais inteligente, o mais rápido e o que tinha a letra mais bonita!
      Tínhamos uniformes, eramos todos iguais...Não tinha lance de malhação em academias, corpo perfeitos e esculturais... Não nos apaixonávamos por aparências... Era com certeza tudo muito mais puro...A parte financeira e social ficava fora da sala de aula, ( talvez fosse uma coisa mais exclusiva dos pais, nós só queríamos ir para a escola...) Hoje os valores são outros, o preconceito junto com o julgamento premeditado já vem de berço...

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    2. Vc falando assim, meu 1°grau foi assim como o seu! Ainda mais por que estudei em escola de freira. Então no que vc podia se destacar era educação física ou nas provas. Como nunca foi bom em nenhum dos dois, sempre ficava no limbo disso tudo. No segundo grau que começou a ficar mais em evidência essa seleção, mas como pouco me importava com isso, andava no meio de todos sem ser rejeitado, mas sem ser aceito por completo tbm. Hoje as coisas que importam mudaram muito! Acrescentou mais um monte de fatores inúteis que só agregam ao ego e popularidade.

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